sábado, 6 de dezembro de 2008

É o fim... Ou não!

Nossas aulas terminaram. O semestre passou tão rápido, parece que foi ontem que cheguei para a primeira aula de Oficina e encontrei a professora Eliana perdida no meio do corredor, sem saber exatamente qual seria a nossa sala. A turma ainda estava em processo de entrosamento, se conhecendo, e felizmente essa disciplina exerceu a função não só de nos fazer exercitar as habilidades de leitura e escrita, mas também de estreitar nossos laços. Quem diria que aproximadamente quatro meses depois estaríamos nos despedindo aos beijos, abraços e declarações de amor e amizade.

Mas hein? Como assim “nos despedindo”? Na verdade foi mais um “até já”. Logo, logo estaremos juntos novamente, não em Oficina, mas em outras disciplinas e em encontros “extracurriculares”, para vivermos mais emoções e darmos mais risadas. Para estudar também, é claro. Enfim, para continuar o que começou em 2008.2: uma linda história de superação e sucesso.

Parabéns para todos nós!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Labiata

No último sábado (dia 08) fui conferir o show do cantor e compositor pernambucano Lenine no TCA. O objetivo principal do espetáculo era apresentar o repertório de seu mais novo CD, intitulado ‘Labiata’; no entanto, velhas e conhecidas canções também foram executadas, para alegria do público.

A delicadeza desse novo trabalho de Lenine começa pelo nome do CD. ‘Labiata’ vem de cattleya labiata, espécie de orquídea existente no nordeste brasileiro, muito apreciada pela sua beleza e perfume. Com caráter intimista, as canções primam pela diversidade de ritmos, melodias e mensagens. Destaque para 'É o que me interessa', cuja letra segue abaixo:

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa

Às vezes é o instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto
E é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa

domingo, 2 de novembro de 2008

Existências que irritam

Recentemente debati com alguém sobre antipatia gratuita. Num nível mais superficial, chegamos a uma conclusão interessante e óbvia.

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Temos nossas preferências e o direito de não curtir quem quer que seja. Isso serve de justificativa quando seu santo não bate com o de outra pessoa.

Mas... E quando você percebe que alguém não gosta de você? Que você incomoda, intimida, causa asco, desgosto?

É chocante. Uma tristeza. Um insulto, um ultraje.

Um fato. Uma verdade.

Mas... O problema é com você? É seu? Quem não gosta é a outra pessoa! Tudo certo.

Então, retificando, são dois os direitos: o de não gostar de alguém e o de não contentar outrem.

Não se pode agradar a gregos, troianos e humanos, eis tudo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Visita íntima

Hoje fui visitar meus avós. Faço esta visita anualmente com a minha mãe, sempre nesta mesma época. É sempre um momento de reflexão, e este ano não poderia ser diferente.

Todo ano Mrs. Pedrecal repete a mesma frase: “É aqui que termina toda vaidade, minha filha”. Concordo, mas vou além das coisas vãs. A maior lição que se pode tira de uma visita ao cemitério é essa: tudo, absolutamente tudo um dia encontra seu fim. Não há bem que nunca se acabe, nem mal que dure para sempre.

É desolador saber que momentos de alegria e felicidade vão acabar, às vezes antes mesmo deles acontecerem. Você olha aquelas pessoas queridas sorrindo e pensa: “Estarão comigo daqui a um ano? Até que momento farão parte da minha vida?”. No entanto, existe o consolo e o alívio de saber que as dores e os sofrimentos também acabarão um dia, e esse pensamento nos dá coragem para seguir adiante. A vida sabe ser generosa: pessoas queridas vão embora, mas, caso não pertençam a nenhuma das “categorias insubstituíveis” (pai, mãe e filhos), fatalmente terão seus lugares ocupados por outras pessoas em algum momento. Só não supera uma dor quem se apega a ela, afinal.

Essa alternância entre momentos bons e ruins me lembra uma comparação que li uma vez entre a vida e uma roda gigante. Num momento se está na parte alta da roda, para logo em seguida estar na parte baixa, e depois novamente sobe, e desce, e... Ou você aprende a lidar com esses altos e baixos ou acaba doente (em ambos, roda gigante e vida).

Tudo passa. E já que não dá pra fugir disso, vamos colaborar com nossa existência e permitir que ela siga com sua sazonalidade. Quem sabe assim ficamos menos tempo na parte de baixo da roda.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Intercâmbio

Oficina de Leitura e Produção de Textos é nossa disciplina mais original, e agradeço por ser assim. E pra não perder o hábito, em nossa última aula fizemos mais uma atividade diferente: juntamos nosso grupo com o da profª América e tivemos um grande momento de troca de idéias e de confraternização. O fato da maioria dos componentes dos dois grupos já se conhecerem de outras disciplinas e de corredor facilitou a interação e deixou tudo mais divertido.

A idéia era a de que nossos colegas do grupo de América apresentariam pequenos trabalhos para nossa apreciação e posteriormente seria aberto um espaço para debate sobre os temas expostos. Assim foi feito. Com base em vários textos, dentre eles "O demônio da teoria" de Compagnon e "Ação cultural para a liberdade e outros escritos" de Paulo Freire, excelentes contribuições foram realizadas e o intercâmbio de informações foi bastante produtivo.

Nesta e nas próximas semanas continuaremos com as aulas conjuntas. Num curso como Língua Estrangeira, onde a maioria das disciplinas é teórica e transmitida de maneira tradicionalíssima, essas atividades nos dão fôlego e nos ensinam que é possível fazer diferente. Já estou com saudades desde agora.

domingo, 12 de outubro de 2008

Relacionamentos difíceis

E lá estávamos, à mesa, um em frente ao outro. Pressenti que seria um diálogo difícil, então tratei de criar um clima adequado: nenhum som e muita luz, para que não houvesse ruídos e tudo ficasse bem claro entre nós dois.

Começamos. Toda a minha atenção voltada para aquelas palavras. Ele me dizendo milhares de coisas e eu me angustiando cada vez mais. Eu não sabia do que ele estava falando, da existência daquilo tudo. Fui pega de surpresa, estava sendo mais sofrido do que eu imaginava.

Percebi que a maneira como ele se comunicava não ajudava. O tom cerimonioso, sério aumentava a distância entre nós. Sua linguagem era superior a minha capacidade de compreendê-la. Por mais que eu quisesse e me esforçasse, o pouco que absorvia não era suficiente.

A frieza da mesa me cansou. Levei-o para a cama, imaginando que o ambiente mais confortável, mais aconchegante acabaria com as formalidades e faria o diálogo fluir com mais facilidade. Ledo engano.

Você precisa esperar até estar preparado para viver certos relacionamentos. Mesmo que você dê o melhor de si, o seu melhor pode não ser o tanto necessário naquele instante. Se há a certeza de que vale a pena investir mas o diálogo não é possível naquele momento, é melhor parar, mas consciente de que será um intervalo provisório: mais tarde aquela experiência poderá ser vivida novamente em sua plenitude.

Eu sabia que aquela despedida era temporária. Eu sabia que ainda tinha muito o que aprender com ele, por isso me permiti abandoná-lo e esperar para retomar a comunicação mais adiante, com mais maturidade e um maior conhecimento do assunto que tínhamos para discutir.

Peguei a pasta e guardei o texto. Até breve, Mikhail Bakhtin. Prometo revê-lo o quanto antes, assim que me sentir mais apta a entender o que você tem a me dizer sobre gêneros do discurso.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Poesias

Nossa última aula de Oficina foi sobre a escrita poética. Foi uma aula difícil pra mim. Meu relacionamento com a poesia nunca foi dos melhores. Eu gosto dela, algumas vezes já chegou a me emocionar profundamente, até já me animei e postei um trechinho de uma que gosto aqui no blog... Mas a verdade é que às vezes, dependendo da poesia, a dificuldade que sinto em entendê-la e interpretá-la é tão grande que a frustração me arrasta para leituras mais amigas. Insensível? Não. Apenas nunca me dediquei muito a esta arte e sou racional o suficiente para não processar certas abstrações.

Mas os racionais também podem ser sensíveis e têm boa vontade. É por isso que hoje estou aqui, com muito esforço, para falar sobre poesia. E na minha busca sobre o que escrever, foi com muita surpresa e felicidade que reencontrei este conhecido poema de Nicolas Behr, que fez parte de minha adolescência e que eu acabei perdendo no meio de tantas outras palavras:


Receita

Ingredientes:


2 conflitos de gerações

4 esperanças perdidas
3 litros de sangue fervido
5 sonhos eróticos
2 canções dos Beatles

Modo de preparar:

Dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração.

Leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas.

Corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos Beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver.

Parte do sangue pode ser substituído por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos.

Sirva o poema simples ou com ilusões.


Só que esse poema, apesar de eu ter um carinho especial por ele, é muito “fácil”. Eliana me orientou a ler poesias desafiadoras, daquelas pra não entender mesmo, que fazem as sinapses cerebrais dançarem loucamente. Então parti para João Cabral de Melo Neto:


Fábula de um arquiteto

A arquitetura como construir portas
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

2.

Até que, tantos livres o amedrontando,

renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até refechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.


A conclusão a que cheguei com minha pesquisa foi a de que existem poesias para todos os gostos: das mais simplórias às mais complexas, das mais secas às que usam e abusam dos efeitos de sonoridade, das mais bem-humoradas às mais lacerantes... E sei que parte do meu trauma vem do fato de no segundo grau meus professores terem delicadamente nos forçado a ler poesias pertencentes ao grupo das mais incompreensíveis para a mente do adolescente médio (a de Behr foi uma feliz exceção). Portanto, me redimo agora e proponho a paz com a poesia.

À propósito... O poema acima de Melo Neto fala sobre ações que tanto podem libertar o homem quanto prendê-lo e isolá-lo. Se alguém entendeu outra coisa, por favor me explica depois.